POR RAPHANI MARGIOTTA VIANA
"Muito mais do que ser lido, o jornal hoje precisa ser visto". Foi o que disse Fernanda Ariane da Silva, da UFBA, durante a palestra Jornalismo e Linguagem, realizada no Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense na última sexta-feira, dia 16 de maio, durante o Congresso.
Com o tema Evolução do sentido da notícia, Fernanda destacou a mudança discursiva ocorrida no uso do título nas notícias: se antes o título servia apenas como um resumo da notícia, hoje é um instrumento de sedução para chamar à atenção do leitor.
Para Fernanda, o valor da notícia passou a ser discursivo, e não ideológico, como anteriormente. Ela destaca que antes de 1821, o texto jornalístico tinha um cunho muito mais político. "No começo, o texto jornalístico era muito mais de quem faz, do que de quem lê". Após a Revolução Industrial, a notícia começou a ter critérios de objetividade e passou a ser um produto.
A palestrante Silvânia Siebert, da UNICAMP, destacou a crônica dentro da esfera do Jornalismo e da Literatura. Para ela, a crônica apresenta características únicas de liberdade de produção e pensamento. "A crônica, por seu caráter cotidiano, é pintura, caricatura, samba, o que der na telha...".
A crônica teria começado com os relatos históricos, sendo a primeira de todas a carta de Pero Vaz de Caminha. No entanto, Silvânia afirmou que alguns autores acreditam que a crônica começa com José de Alencar.
Giovanna Benedetto Flores, também da UNICAMP, fala de A (in)dependência da imprensa brasileira no século XIX: os discursos do Reverbero Constitucional Fluminense e da Gazeta do Rio de Janeiro. Terceira palestrante da mesa, ela afirma que a Gazeta trazia o discurso do colonizador, apenas com notícias da Europa e a elite no papel de porta-voz do governo. Já o Reverbero foi criado para provocar a independência, e era mais voltado para os habitantes do Rio de Janeiro.
Em sua tese (In)diretas quae sera tamen: movimento(s) de conciliação no discurso jornalístico sobre as diretas já, Ângela de Aguiar Araújo, também da UNICAMP, apresentou a questão da isenção e da objetividade como mitos da comunicação. Para ela, "a ideologia tem que existir" para que haja a constituição de sentidos.
Após as exposições, os alunos debateram os temas e puderam fazer perguntas.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
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