segunda-feira, 19 de maio de 2008

Dependência e ideologias marcam a relação entre jornalismo e política

POR GABRIEL SCHMIDT

A relação de proximidade, e até mesmo de cumplicidade, entre a imprensa e o poder foi o tema das discussões do Grupo de Trabalho Jornalismo e Política, no Congresso, no último dia 15. Coordenados pelo doutorando da Universidade Federal Fluminense (UFF), Wilson Borges, os participantes apresentaram estudos sobre a presença política e ideológica na imprensa colonial, a relação do jornalismo com a legitimação da democracia, a campanha "O petróleo é nosso" e a clandestinidade dos jornais comunistas. Outro tema debatido foi a dificuldade de se definirem parâmetros para a análise do conteúdo midiático.

O jornal como um negócio que pode dar certo foi um dos tópicos apresentados pelo mestrando em História Política Nelton Melo, em seu trabalho sobre a imprensa e o poder nos anos 1930. O participante levantou a discussão sobre o uso do jornalismo como trampolim para a carreira política, a consolidação do aspecto empresarial da imprensa e ressaltou ainda a falta de estudos específicos sobre a mídia desse período. "Não estudar a imprensa significa deixar escapar uma forma de entendimento da política nos anos 1930", afirmou Nelton.

Já Ariane Diniz Holzbach apresentou a abordagem dos rituais da democracia pelo jornal O Globo. Fazendo uma analogia entre a colocação da faixa presidencial e a assinatura do termo de posse, a mestranda da UFF considera que, do ponto de vista jornalístico, o valor simbólico do ato se tornou mais importante do que seu valor concreto. Segundo Ariane, há uma relação de interdependência entre a imprensa e os rituais da democracia. "A mídia precisa desse valor simbólico para atender ao interesse do público e, ao mesmo tempo, é fundamental para legitimação do processo", afirma.

O grupo de trabalho contou ainda com a apresentação dos trabalhos de Roseane Arcanjo, da Universidade São Luís, que falou sobre a política no primeiro periódico maranhense — O Conciliador —, de Cecília Miranda, que abordou a atuação do Jornal do Brasil na campanha de exploração do petróleo nacional e de Mônica Mourão, que trouxe a análise do jornal Classe Operária durante o período de clandestinidade do PCdoB.

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