sexta-feira, 16 de maio de 2008

Representação e Construção da Realidade

POR RENNÊ NUNES

A representação e a construção social da realidade. Esse foi o tema de um dos grupos de debate de grande destaque do Congresso. Com trabalhos e temas correlatos ao vasto tema central, acadêmicos de diferentes universidades brasileiras que integraram o grupo de estudo fizeram apresentações marcadas pela diversidade.

Doutorando em comunicação da casa, Rafael Fortes fez as honras apresentando seu estudo: De "passatempo de vagabundos" a "esporte da juventude sadia". Surfe, esporte e preconceito em Fluir, no qual faz um profundo mergulho na história da principal revista de surfe do Brasil, para contar, por meio da análise discursiva dos textos da publicação, como o surfe se profissionalizou na década de 80, e o importante papel da Fluir na desconstrução dos estereótipos marginais relacionados à prática do esporte.

Dando seqüência às apresentações, Gisele Becker, Doutora pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), dividiu com os presentes o resultado de sua pesquisa: A disciplina e a normatização de conduta: o discurso sobre a prostituição em Porto Alegre pelo jornal Gazetinha sobre ótica de Michel Foucault, no qual a gaúcha mostra os imperativos morais presentes nos textos do extinto jornal gaúcho Gazetinha, que criticava a presença de prostíbulos no centro de Porto Alegre. Gisele fundamenta o discurso do jornal baseada nos conceitos de retidão de comportamento através da disciplina, encontrados na obra Vigiar e Punir de Michael Foucault.

Já Daniele Braziliense, doutoranda em Comunicação pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), voltou no tempo para estudar um caso criminal que escandalizou a sociedade brasileira no final do século passado. Em Crime da rua Cuba e o agendamento da monstruosidade no jornalismo policial dos anos 1980, Daniele apresentou um resultado que revela o caráter julgador e condenador da grande mídia:

- É preciso cria a celebridade monstruosa para responder e justificar o crime bárbaro para o leitor. A mídia transforma possíveis assassinos em assassinos - explicou a futura doutora.

Depois foi a vez de outra prata da casa. Vânia Maria Torres, também doutoranda em Comunicação da UFF, trabalhou com o tema A Amazônia errada: entre o passado e o presente quase nada mudou. O importante estudo, que propõe descobrir como se dá à construção da imagem da Amazônia na mídia, já revela as origens colonizadoras do discurso fundador que hoje vem do eixo sul-sudeste, no qual a visão sobre os nativos e a legitimidade da cultura local sempre esteve comprometida.

Encerrando as atividades do grupo de trabalho, o professor de jornalismo Mário Luiz Fernandes da UNIVALLE (SC) apresentou seu estudo Correio Braziliense, as representações da Família Real Portuguesa no Brasil. No trabalho, o professor analisa, a partir de textos do jornalista Hipólito da Costa, como ocorreu a tentativa de construção de um império luso-brasileiro anexando colônias espanholas com apóio da Inglaterra, ainda nos tempos de Brasil Colônia.

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