sexta-feira, 16 de maio de 2008

Jornalismo, memória e a falta que o Cartola faz

POR GUSTAVO MAIA

A sessão Narrativa jornalística, identidade e memória terminou sem o artigo O encontro de Cartola com Sérgio Porto: memória e esquecimento na imprensa dos anos 1950, que deveria concluir a apresentação dos trabalhos. Maurício Barros de Castro, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Estudos em História Oral da USP, parece ter feito falta na sessão.

Entre barulhos de uma obra próxima e conversas estridentes que, do pátio do Instituro de Arte e Comunicação Social (IACS), invadiam o encontro, o professor Milton Julio Faccin, da Universidade Estácio de Sá, iniciou as apresentações com um trabalho sobre a representação da identidade gaúcha em sete jornais significativos do Rio Grande do Sul. Depois de analisar mais de duas mil matérias durante seis anos, Faccin definiu 15 modos como os jornais apresentam a identidade regional; a contribuição do imigrante europeu ao desenvolvimento do Sul do país, negando a importância africana e indígena e a afirmação da auto-suficiência gaúcha foram dois exemplos.

A professora Letícia Cantarela Matheus, do IACS, falou sobre sua pesquisa de doutorado, na qual enfatizará os discursos de auto-referenciação presentes em três longevos jornais fluminenses nas edições em que completaram 50 ou 100 anos. A tese Uma semântica do futuro: visões do progresso na narrativa jornalística mostrará como os jornalistas posam de agentes modernizadores nas edições comemorativas.

Em seguida, Gutemberg Araújo de Medeiros, doutorando em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo (USP), explicou o seu Na subida do morro: Jornalismo e exclusão Social em João do Rio. A apresentação, entretanto, foi insossa: Gutemberg não trouxe qualquer contribuição ao resgate da memória do jornalista que descobriu as favelas cariocas no início do século XX. O autor leu penosamente diversos trechos, intercalados por longos silêncios. Quando o mediador avisou que lhe restavam cinco dos quinze minutos a que tinha direito, respondeu, não se sabe se ingênua ou ironicamente: "Mas está tão divertido!".

Por fim, Wilson Couto Borges, doutorando na UFF, trouxe o artigo Para lembrar é necessário esquecer – notas sobre a narrativa jornalística. Mas o trabalho, que se baseia na conhecida teoria de que lembranças e esquecimentos constituem juntas o processo da memoração, pareceu ainda imaturo. Wilson, entretanto, sabe que sua tese tem um longo caminho a percorrer.

Por sorte, o mediador Maurício Parada, doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, contrariou seu próprio anúncio no início do encontro e permaneceu na sessão, promovendo uma rápida discussão ao fim dos trabalhos.

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