sexta-feira, 16 de maio de 2008

Mídia alternativa faz história

POR MARCOS DE VASCONCELLOS

Com as greves estourando em todo o país, um "Manual de como evitar greves" seria certamente muito útil aos patrões, assim como um "Manual de como fazer greves" serviria aos trabalhadores. A idéia pode parecer estranha, mas estes são títulos da centésima edição do boletim Quinzena. Com a pretensão de informar trabalhadores de todo o país, esse boletim acabou por se tornar uma das mais importantes produções da mídia alternativa nacional. No dia 1º de maio, dia do trabalhador, comemoraram-se os 22 anos da criação do boletim, criado pelo CPV, inicialmente Centro de Pastoral Vergueiro e atualmente Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro.

O Centro foi fundado oficialmente no dia 15 de novembro de 1973, por um grupo de militantes, em plena ditadura militar, em uma antiga comunidade dominicana, à Rua Vergueiro, em São Paulo. Desde sua fundação, o CPV procurou ser uma central de convergência dos materiais produzidos por movimentos sociais, principalmente o movimento operário e sindical.

Segundo Rozinaldo Antonio Miani, professor de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que apresentou nessa sexta no Congresso seu trabalho sobre o Quinzena, o acervo do CPV garante um conhecimento histórico dos movimentos sociais que não existe em qualquer outro lugar. Os documentos lá guardados ficam disponíveis para qualquer pessoa que se interessar; porém, a falta de uma equipe para tratar o material faz com que uma possível deterioração do mesmo pareça mais próxima do que a digitalização de todo ele.

Para fomentar a produção operária, o CPV cedia materiais, como mimeógrafos, impressoras e stencils, para os movimentos produzirem seus próprios cartazes e jornal. Porém, ao notar uma produção muito divergente, passou a produzir o boletim Quinzena, que deveria fazer circular as diferentes idéias e marcar as diferentes posições existentes nos movimentos sociais.

Para Rozinaldo, ainda hoje a produção da mídia dita alternativa é muito divergente e voltada para os próprios atores sociais que a produzem. Para ele, "o cenário é plural e pouco explicativo" e uma iniciativa de convergir os materiais produzidos como o CPV pode "estabelecer uma precisão para driblar essa inadequação conceitual, que chamam tantos de 'alternativos' que no final das contas nenhum poderá ser considerado alternativo".

Saiba mais sobre o CPV clicando aqui.

Nenhum comentário: