POR FERNANDA EMMERICK
O Grupo de Trabalho sobre televisão, realizado na última sexta-feira, teve a participação de quatro palestrantes e um número razoável de espectadores. Com a presença de jornalistas de vários lugares do Brasil e com um clima de descontração, o GT virou um grande fórum de discussão, surgindo até uma polêmica no final.
O primeiro trabalho apresentado, Telejornalismo de cineastas nos anos de chumbo: construções do popular no embate da "viola x a guitarra", da doutora em história e professora da Universidade Federal de São João Del Rei, Cássia R. Louro Palha, foi uma análise sobre o programa Globo Repórter durante os anos 1970, momento em que ele foi constituído por uma equipe de cineastas de esquerda, que buscavam uma identidade "nacional-popular" nos anos 1950/60. Entre os documentários produzidos pelo programa, Cássia enfatiza o de João Batista de Andrade: "Boa Esperança: a viola X a guitarra" (1976), que fez história pelo traço autoral da obra, algo que hoje em dia o programa tenta esconder.
Em seguida, foi a vez da Doutora em Comunicação e professora da universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Christina Ferraz Musse, apresentar sua tese de doutorado Telejornalismo e imaginário urbano: a cidade na TV. No trabalho, que tem como universo a cidade de Juiz de Fora (MG), Christina faz uma reflexão sobre a narrativa dos telejornais enquanto representação do espaço público. Ela analisa a história dos principais telejornais veiculados nas emissoras de Juiz de Fora, onde foi inaugurada a primeira geradora de TV do interior, na região Sudeste do Brasil, em 1964. Por fim, a autora chega à conclusão de que as emissoras ali presentes nunca tentaram dar evidência maior ao espaço público da cidade. Ao contrário, veiculavam matérias que não tratavam da sua realidade, como as produzidas em Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Dando seqüência às apresentações, Igor Sacramento, mestre em Comunicação pela UFRJ, apresentou sua tese Por um telejornalismo de alto nível: as definições de qualidade na crítica especializada em duas décadas (1970/1980). Um pouco nervoso na apresentação, mas com uma pesquisa interessante, Igor indaga o que a TV considera ser qualidade: "o que me chamou atenção foi a diferença de definição do que a crítica acha que é qualidade, se é a técnica ou conteúdo".
O último trabalho, A invasão silenciosa do "terrorismo midiático" na América Latina, das paranaenses Carla Cândida Rizzotto e Cora Catalina, da Universidade de Tuiuti, foi o que mais criou polêmica. Elas analisam a história da TVSUR, um canal de televisão constituído por uma sociedade multiestatal, sob coordenação da Venezuela. No trabalho, elas analisam o que foi veiculado a respeito da invasão da Colômbia ao Equador, tanto pelos jornais brasileiros quanto pela TVSUR. As diferenças encontradas a partir desta comparação embasam o debate a respeito do uso político da imprensa. No fim da apresentação, um dos participantes questionou o papel da TVSUR, como se ela fosse uma televisão para a defesa pessoal de Hugo Chaves. As autoras negaram peremptoriamente esse viés, pois acreditam que o maior papel da TV em questão é ser uma alternativa para que as pessoas fiquem sabendo o "outro lado da versão", já que as TV's comercias, dominadas pelo neoliberalismo, só agendam o que desejam.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
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